| Seds firma parcerias com empresas de Passos para absorver mão de obra de detentos |
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| 08-Fev-2010 | ||||||
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Um
convênio assinado no último dia 03, entre a Secretaria de Estado de Defesa
Social (Seds) e empresas da cidade de Passos, garante emprego imediato a
pelo menos 32 presos. Outros 23 serão beneficiados num segundo momento. A
solenidade de assinatura de três parcerias - Carvalho e Branco Ltda.,
especialista em funilaria e pintura de carros, e a multinacional Da Granja –
grupo Marfrig, além de Lindomar Alves Rodrigues - aconteceu no Clube da Polícia
Civil com a participação do subsecretário de Inovação e Logística da Seds,
Cássio Antônio Soares. A primeira parceria absorveu a mão de obra de um
detento, que receberá o equivalente a um três quartos do salário mínimo. A
segunda contratou 30 presos, podendo chegar a 55, com remuneração de um salário
(R$ 510,00), mais cartão de alimentação no valor de R$ 63,00. A terceira
contratou quatro, também recebendo três quartos de salário. Cássio Soares falou
aos presentes sobre a importância de se valorizar todos os envolvidos no
processo. “Estou aqui para enaltecer essas pessoas que querem melhorar por meio
do trabalho, dando o máximo de si mesmas para isso. Também os parceiros, que
muito têm feito no âmbito social. E os diretores e funcionários do Presídio de
Passos, que têm plantado tão bons frutos”, destacou. Segundo o diretor de Trabalho e Produção da
Seds, Helil Bruzadelli, também presente ao evento, as ações fazem parte do
projeto “Trabalhando a Cidadania”: “Por meio dele, conseguimos utilizar a
mão de obra de presos como uma ferramenta poderosa de ressocialização. O
trabalho possibilita a profissionalização e é uma ponte para um futuro vivido
com dignidade”. O diretor-geral do Presídio de Passos, Leandro Francisco
Pereira, reforçou: “O trabalho é capaz de resgatar as noções de ética e moral
dos presos e a postura deles perante a sociedade, uma vez que se sentem
valorizados e tratados como pessoas de bem”. A diretora de Atendimento e
Ressocialização da unidade, Nágila Medeiros Couto Cecílio, reforçou que a
ressocialização se inicia a partir de um conjunto de atendimentos prestados aos
recuperandos, que vão desde as áreas de saúde, psicossocial e jurídica até o
trabalho. “Os nossos parceiros são de extrema relevância, pois dignificam o
recuperando, à medida que o mesmo se sente útil diante da sociedade e de seus
familiares”, pontuou.
A
detenta Cláudia Cristina Mezêncio, 41 anos, que cumpre pena no regime
semiaberto, é uma das selecionadas para trabalhar na empresa Da Granja. Ela,
que já trabalhou dentro da unidade com artesanato e no clube da Polícia Civil
com faxina, agora vai atuar na área de eviscerados, ou seja, na retirada e
separação de miúdos de frangos. “Para mim, foi a melhor coisa que podia ter me
acontecido. Podemos conversar com as pessoas, fazer amizades, sem desrespeito.
E ninguém pode imaginar o tamanho da minha satisfação em mandar dinheiro e
ajudar os meus filhos, mesmo estando presa. Isso não tem preço”, testemunhou.
Luiz
da Silva Martins, 22 anos, do regime fechado, foi contratado para trabalhar
na obra particular de Lindomar Rodrigues. Ele enumerou as experiências
que teve depois de preso: “Já trabalhei com bloquetes, revitalização de praças,
atividades dentro do presídio. Onde tem serviço eu participo, porque tenho um
comportamento exemplar. Consigo, assim, mostrar à sociedade que, apesar dos
meus erros, sou um homem trabalhador”.
A
detenta Paula Fabíola de Carvalho, 22 anos, trabalha na empresa Joaquim
Ourives, fazendo joias e foleados, além de atender o público. Ela tem orgulho
da atual atividade: “Meu patrão me apresenta a todos que passam por lá. Tem
empresário que, por causa do meu exemplo, quer contratar presos, contou
O parceiro Lindomar Alves Rodrigues explicou os motivos que o fizeram utilizar mão de obra de presos: “Sabemos que dentro do presídio existem trabalhadores qualificados e ávidos por uma oportunidade. É a nossa chance de aproveitá-la e auxiliar no processo de ressocialização. Temos que ajudar quem quer mudar e fazer com que a sociedade reveja seus conceitos”, disse.
A
coordenadora do Recursos Humanos da empresa Da Granja, Janete Albuquerque
Costa, revelou que a ideia de contratar presos veio por acaso. “A empresa
cresceu e passamos a precisar de mais mão de obra. Então pensamos em dar uma
oportunidade a pessoas que têm dívida com a justiça, mas que podem ser
trabalhadoras e profissionais como todos os nossos demais funcionários”,
explicou. Ela enfatizou que todos são tratados como iguais e que contam com
total aceitação dos colegas e superiores: “Os presos fazem as refeições com
todos os outros, assistem palestras, tomam bronca. Isso causa um efeito tão
positivo que eles passam a se sentir efetivamente dentro da sociedade, e não
somente dentro da empresa”.
O Presídio de Passos ainda proporciona muitas outras atividades, que abrangem as mais diversas áreas: serviços de servente com o parceiro Rovilson Donizete Maximiano, trabalho na biblioteca, faxina do pavilhão masculino e das instalações internas, lavanderia, artesanato para confecção de tapetes, chaveiros, potes, chapéus e bijouterias, jardinagem e manutenção de espaços da Polícia Civil, horticultura e jardinagem. Os detentos participantes são dos regimes fechado e semiaberto e trabalham mediante autorização judicial. Todos são beneficiados com a remissão de pena, ou seja, a cada três dias trabalhados, menos um no cumprimento da pena. ( Fonte : Adriana Dias ) Adicionar como favorito (10) | Publique este artigo no seu site | Visto: 187 | E-mail
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